
Nº 02 · O Tempo e o Silêncio
O que acontece quando o cinema deixa de ter pressa?
Há filmes que avançam pela ação. Outros permanecem — e nos obrigam a permanecer com eles.
Tarkovsky · Bresson · Ozu · Antonioni · Bergman · Kieślowski
Editorial
Com que matéria se escreve?
Tempo. Gesto. Espaço. Ausência. Rosto. Olhar. O Nº 01 perguntava quem escreve um filme. Este pergunta com o quê.
Seis matérias
Os autores deste número

O tempo
Andrei Tarkovsky
É possível filmar o tempo?

O gesto
Robert Bresson
Quanto pode ser retirado de um filme antes que reste apenas cinema?

A observação
Yasujiro Ozu
Quanto pode acontecer quando aparentemente nada acontece?

A ausência
Michelangelo Antonioni
Como filmar aquilo que não está mais lá?

O rosto
Ingmar Bergman
Até onde podemos nos aproximar de um rosto?

O olhar
Krzysztof Kieślowski
O que vemos quando começamos a prestar atenção?
Tempo
O corte determina quando devemos partir. A duração pergunta quanto tempo conseguimos permanecer.
Silêncio
O silêncio cinematográfico nunca está vazio.
Constelação
Dez filmes
- 01Era uma Vez em TóquioYasujiro Ozu · 1953 · observe: o espaço depois que os personagens saem
- 02PickpocketRobert Bresson · 1959 · observe: as mãos
- 03A AventuraMichelangelo Antonioni · 1960 · observe: aquilo que desaparece da narrativa
- 04PersonaIngmar Bergman · 1966 · observe: os rostos
- 05MouchetteRobert Bresson · 1967 · observe: o que Bresson se recusa a explicar
- 06O EspelhoAndrei Tarkovsky · 1975 · observe: a fronteira entre memória, sonho e presente
- 07StalkerAndrei Tarkovsky · 1979 · observe: a duração
- 08O SacrifícioAndrei Tarkovsky · 1986 · observe: o espaço, o silêncio e a espera
- 09A Liberdade é AzulKrzysztof Kieślowski · 1993 · observe: como a cor participa da experiência emocional
- 10Amor à Flor da PeleWong Kar-wai · 2000 · observe: tudo aquilo que não acontece

Caderno
Ensaios sobre a linguagem
O som que não vemos, o plano vazio, o rosto, as mãos, a duração — e o ensaio de encerramento: quando nada acontece.
Abrir o caderno1953–2000
Linha do tempo
1953
Era uma Vez em Tóquio
Ozu senta a câmera e deixa o espaço permanecer. Abre a constelação deste número.
1959
Pickpocket
Bresson isola as mãos. O cinematógrafo contra o teatro.
1960
A Aventura
Anna desaparece. Antonioni recusa devolver o sentido.
1966
Persona
Bergman aproxima o rosto até a identidade falhar.
1967
Mouchette
A recusa de explicar. A economia como ética.
1975
O Espelho
Memória, sonho e presente no mesmo plano.
1979
Stalker
A Zona. O tempo esculpido no charco.
1986
O Sacrifício
Espera, espaço, silêncio. O último voto de Tarkovsky.
1993
A Liberdade é Azul
A cor como matéria emocional. O olhar nos detalhes.
2000
Amor à Flor da Pele
Epílogo. Tudo aquilo que não acontece.