Vento nas árvores, o plano que permanece.

Nº 02 · O Tempo e o Silêncio

O que acontece quando o cinema deixa de ter pressa?

Há filmes que avançam pela ação. Outros permanecem — e nos obrigam a permanecer com eles.

Tarkovsky · Bresson · Ozu · Antonioni · Bergman · Kieślowski

Editorial

Com que matéria se escreve?

Tempo. Gesto. Espaço. Ausência. Rosto. Olhar. O Nº 01 perguntava quem escreve um filme. Este pergunta com o quê.

Tempo

O corte determina quando devemos partir. A duração pergunta quanto tempo conseguimos permanecer.

Silêncio

O silêncio cinematográfico nunca está vazio.

Constelação

Dez filmes

Abrir a cinemateca
  1. 01Era uma Vez em TóquioYasujiro Ozu · 1953 · observe: o espaço depois que os personagens saem
  2. 02PickpocketRobert Bresson · 1959 · observe: as mãos
  3. 03A AventuraMichelangelo Antonioni · 1960 · observe: aquilo que desaparece da narrativa
  4. 04PersonaIngmar Bergman · 1966 · observe: os rostos
  5. 05MouchetteRobert Bresson · 1967 · observe: o que Bresson se recusa a explicar
  6. 06O EspelhoAndrei Tarkovsky · 1975 · observe: a fronteira entre memória, sonho e presente
  7. 07StalkerAndrei Tarkovsky · 1979 · observe: a duração
  8. 08O SacrifícioAndrei Tarkovsky · 1986 · observe: o espaço, o silêncio e a espera
  9. 09A Liberdade é AzulKrzysztof Kieślowski · 1993 · observe: como a cor participa da experiência emocional
  10. 10Amor à Flor da PeleWong Kar-wai · 2000 · observe: tudo aquilo que não acontece
Cômodo vazio, câmera baixa.
O espaço depois que os personagens saem

Caderno

Ensaios sobre a linguagem

O som que não vemos, o plano vazio, o rosto, as mãos, a duração — e o ensaio de encerramento: quando nada acontece.

Abrir o caderno

1953–2000

Linha do tempo

  1. 1953

    Era uma Vez em Tóquio

    Ozu senta a câmera e deixa o espaço permanecer. Abre a constelação deste número.

  2. 1959

    Pickpocket

    Bresson isola as mãos. O cinematógrafo contra o teatro.

  3. 1960

    A Aventura

    Anna desaparece. Antonioni recusa devolver o sentido.

  4. 1966

    Persona

    Bergman aproxima o rosto até a identidade falhar.

  5. 1967

    Mouchette

    A recusa de explicar. A economia como ética.

  6. 1975

    O Espelho

    Memória, sonho e presente no mesmo plano.

  7. 1979

    Stalker

    A Zona. O tempo esculpido no charco.

  8. 1986

    O Sacrifício

    Espera, espaço, silêncio. O último voto de Tarkovsky.

  9. 1993

    A Liberdade é Azul

    A cor como matéria emocional. O olhar nos detalhes.

  10. 2000

    Amor à Flor da Pele

    Epílogo. Tudo aquilo que não acontece.