Bresson filma no mesmo país da Nouvelle Vague e parece vir de outro século. Recusa o teatro colado na película: chama os intérpretes de “modelos”, pede que não atuem, que o gesto se esvazie até virar fato. As mãos sabem antes do rosto.
Pickpocket trata o furto como liturgia de pulsos. Mouchette recusa explicar a crueldade que cerca uma menina. O som fora de campo cria um espaço que o enquadramento não mostra. A economia da imagem não é pobreza: é uma ética. O que não é necessário está sempre no caminho.
Cahiers o lia como santo laico. Este número o lê como o cineasta da subtração: o outro polo de Tarkovsky. Um alonga o plano até o tempo aparecer; o outro retira até restar o cinematógrafo.

