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O caderno

Seis ensaios sobre a matéria deste número — o som que não vemos, o plano vazio, o rosto, as mãos, a duração — e o que você guarda neste aparelho.

Seis ensaios

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Vocabulário

Glossário

Duração
Não o relógio do plano, e sim a experiência de permanecer. Um plano curto pode pesar; um plano longo pode desaparecer.
Fora de campohors-champ
O que o quadro não mostra e o som, o olhar ou a elipse fazem existir. Bresson constrói espaços inteiros fora da imagem.
Pillow shot
Em Ozu, o plano de um espaço vazio entre as cenas. Não é intervalo: é a prova de que o mundo continua.
Cinematógrafocinématographe
Para Bresson, o contrário do cinema de atores: uma escrita de imagens e sons que se encontram. O modelo substitui o ator.
Esculpir o tempo
Fórmula de Tarkovsky. O plano é matéria talhada pela duração. O autor se reconhece no tempo que impõe ao espectador.
Ausência
Em Antonioni, o desaparecimento como acontecimento. A trama promete uma busca; o filme entrega o vazio.

1953–2000

Linha do tempo

  1. 1953

    Era uma Vez em Tóquio

    Ozu senta a câmera e deixa o espaço permanecer. Abre a constelação deste número.

  2. 1959

    Pickpocket

    Bresson isola as mãos. O cinematógrafo contra o teatro.

  3. 1960

    A Aventura

    Anna desaparece. Antonioni recusa devolver o sentido.

  4. 1966

    Persona

    Bergman aproxima o rosto até a identidade falhar.

  5. 1967

    Mouchette

    A recusa de explicar. A economia como ética.

  6. 1975

    O Espelho

    Memória, sonho e presente no mesmo plano.

  7. 1979

    Stalker

    A Zona. O tempo esculpido no charco.

  8. 1986

    O Sacrifício

    Espera, espaço, silêncio. O último voto de Tarkovsky.

  9. 1993

    A Liberdade é Azul

    A cor como matéria emocional. O olhar nos detalhes.

  10. 2000

    Amor à Flor da Pele

    Epílogo. Tudo aquilo que não acontece.