Linguagem
O caderno
Seis ensaios sobre a matéria deste número — o som que não vemos, o plano vazio, o rosto, as mãos, a duração — e o que você guarda neste aparelho.
Seis ensaios
Caderno I
O som daquilo que não vemos
O cinema precisa mostrar aquilo que acontece? Um som cria um espaço que não existe dentro do enquadramento.
Caderno II
Depois que todos saem do quadro
Casas, corredores, ruas, quartos e paisagens continuam existindo. O espaço também pode ser personagem?
Caderno III
O rosto como paisagem
Do primeiro plano à intimidade extrema. A câmera registra olhos, pele, respiração e silêncio.
Caderno IV
As mãos
Mãos que roubam, trabalham, hesitam, tocam e abandonam. A dramaturgia deslocada do rosto para o corpo.
Caderno V
A duração de um plano
Quando um plano se torna longo? Não procurar a resposta em segundos. Investigar a percepção.
Caderno VI
Quando nada acontece
Contemplação não significa ausência de acontecimento. O cinema apenas modificou nossa escala de percepção.
Seu rolo
Guardados
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Vocabulário
Glossário
- Duração
- Não o relógio do plano, e sim a experiência de permanecer. Um plano curto pode pesar; um plano longo pode desaparecer.
- Fora de campohors-champ
- O que o quadro não mostra e o som, o olhar ou a elipse fazem existir. Bresson constrói espaços inteiros fora da imagem.
- Pillow shot
- Em Ozu, o plano de um espaço vazio entre as cenas. Não é intervalo: é a prova de que o mundo continua.
- Cinematógrafocinématographe
- Para Bresson, o contrário do cinema de atores: uma escrita de imagens e sons que se encontram. O modelo substitui o ator.
- Esculpir o tempo
- Fórmula de Tarkovsky. O plano é matéria talhada pela duração. O autor se reconhece no tempo que impõe ao espectador.
- Ausência
- Em Antonioni, o desaparecimento como acontecimento. A trama promete uma busca; o filme entrega o vazio.
1953–2000
Linha do tempo
1953
Era uma Vez em Tóquio
Ozu senta a câmera e deixa o espaço permanecer. Abre a constelação deste número.
1959
Pickpocket
Bresson isola as mãos. O cinematógrafo contra o teatro.
1960
A Aventura
Anna desaparece. Antonioni recusa devolver o sentido.
1966
Persona
Bergman aproxima o rosto até a identidade falhar.
1967
Mouchette
A recusa de explicar. A economia como ética.
1975
O Espelho
Memória, sonho e presente no mesmo plano.
1979
Stalker
A Zona. O tempo esculpido no charco.
1986
O Sacrifício
Espera, espaço, silêncio. O último voto de Tarkovsky.
1993
A Liberdade é Azul
A cor como matéria emocional. O olhar nos detalhes.
2000
Amor à Flor da Pele
Epílogo. Tudo aquilo que não acontece.