Paris é o cenário, mas não há jump cut, não há Herald Tribune, não há olhar para a câmera. Há um jovem que não sabe viver senão roubando, e um método: modelos, som direto, elipses que cortam o teatro pela raiz.
A montagem das mãos — a carteira, o jornal, o aperto — é tão precisa quanto um número de prestidigitação e tão fria quanto um relatório policial. Dostoievski está no subtexto; Bresson recusa a psicologia falada. O que Michel pensa, o filme não diz: mostra o pulso.
Uma mão pode dizer aquilo que um diálogo destruiria. Este número pede que se observe isso antes de qualquer moral da história.
