A Aventura (1960) anuncia um desaparecimento e depois se recusa a resolvê-lo. Anna some numa ilha; o filme permanece com os que ficaram — e a ausência vira o verdadeiro acontecimento. A expectativa narrativa é frustrada de propósito: o motor da trama era falso.
Antonioni filma a incomunicabilidade como arquitetura. Praças modernas, fachadas brancas, paisagens vulcânicas: os corpos se perdem no espaço antes de se perderem uns dos outros. A distância entre personagens não é um tema falado; é uma medida do quadro.
Se Ozu deixa o espaço habitar depois da passagem humana, Antonioni deixa o espaço acusar essa passagem. O vazio aqui não é paz. É o que resta quando o sentido já foi embora.
