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A ausência

L’avventura

Michelangelo Antonioni

Como filmar aquilo que não está mais lá?

1912–2007 · Itália

Atrás de cada imagem revelada há outra, mais fiel à realidade, e atrás dessa, outra ainda.

Michelangelo Antonioni

A Aventura (1960) anuncia um desaparecimento e depois se recusa a resolvê-lo. Anna some numa ilha; o filme permanece com os que ficaram — e a ausência vira o verdadeiro acontecimento. A expectativa narrativa é frustrada de propósito: o motor da trama era falso.

Antonioni filma a incomunicabilidade como arquitetura. Praças modernas, fachadas brancas, paisagens vulcânicas: os corpos se perdem no espaço antes de se perderem uns dos outros. A distância entre personagens não é um tema falado; é uma medida do quadro.

Se Ozu deixa o espaço habitar depois da passagem humana, Antonioni deixa o espaço acusar essa passagem. O vazio aqui não é paz. É o que resta quando o sentido já foi embora.

No rolo

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