Cannes vaiou. O público esperava um mistério e recebeu uma duração. Antonioni usa o desaparecimento como falso motor: o que importa não é achar Anna, é filmar o vazio que ela deixa entre Claudia e Sandro, entre os corpos e as fachadas.
A ilha vulcânica, depois as cidades brancas: a arquitetura substitui o enredo. A incomunicabilidade não precisa ser dita. Basta um plano em que duas pessoas ocupam o mesmo quadro e não se tocam.
Como filmar aquilo que não está mais lá? Deixando a câmera no lugar do desaparecimento. Às vezes o personagem some e o filme permanece olhando.
