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A observação

Pillow shots

Yasujiro Ozu

Quanto pode acontecer quando aparentemente nada acontece?

1903–1963 · Japão

Eu só quero fazer uma bandeja de tofu bem feito.

atribuído a Ozu

A câmera de Ozu permanece. Senta-se baixa, à altura de quem vive no tatami, e observa o cotidiano como se o espaço fosse mais durável do que as pessoas que o atravessam. Família, casamento, partida, um vaso no tokonoma: as pequenas transformações que o enredo clássico mal considera acontecimento.

Os pillow shots — um corredor, uma rua, um varal — não são pontuação. São a prova de que o mundo continua quando os personagens saem do quadro. A elipse em Ozu não é esperteza de montagem: é educação do olhar. Passa-se um ano num corte, e o cômodo é o mesmo.

Era uma Vez em Tóquio (1953) é o filme em que essa observação chega à forma mais clara. Os pais visitam os filhos; os filhos não têm tempo; o espaço, esse sim, tem. Ozu não concebe o espaço como Antonioni — não há alienação geométrica, há permanência.

No rolo

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