Não é um filme sobre a ingratidão moderna, embora caiba lê-lo assim. É um filme sobre a passagem. Ozu senta a câmera no tatami e deixa o cotidiano — chá, corredor, trem, um vaso — ocupar o lugar que outro cineasta encheria de conflito.
Quando os personagens saem, o plano continua. Essa insistência é o contrário do corte clássico, que parte com o ator. O espaço também pode ser personagem: a casa sabe da morte antes do diálogo.
Abre esta constelação porque formula a pergunta do número com a maior simplicidade. Quanto pode acontecer quando aparentemente nada acontece? Um corredor vazio. Um relógio. Os pais que voltam.
