Último filme de Tarkovsky, rodado na Suécia, O Sacrifício junta a casa de Bergman ao tempo soviético. A ameaça nuclear chega como rumor; o milagre, como tarefa doméstica e cósmica ao mesmo tempo. A câmera viaja pela casa como quem reza.
O espaço não é cenário de espera: é a espera. O silêncio cinematográfico nunca está vazio — aqui ele carrega o voto, o filho, a árvore que se rega sem certeza de que cresça.
Fecha o tríptico deste número. Memória (O Espelho), desejo (Stalker), fé (O Sacrifício). Três matérias. O mesmo autor.
