Stalker começa a cores de esgoto e abre para um verde doente. A Zona não é um planeta: é um pátio industrial com água parada. Ninguém corre. O milagre, se existe, cabe num charco.
A política dos autores pedia um estilo reconhecível. Stalker é esse estilo no limite: a câmera à altura da relva, o som de goteira, os três corpos que falam demais e andam de menos. O Cômodo nunca aparece como espetáculo. Aparece como pergunta.
Godard corta para pensar; Tarkovsky deixa o plano pensar sozinho. A duração aqui não é medida em minutos. É a experiência de permanecer.
