Wong fecha este número porque o problema atravessou o século e mudou de clima. Hong Kong úmida, neon, cigarro, um vestido que passa. O tempo não é o de Tarkovsky (duração sagrada) nem o de Ozu (cotidiano). É o tempo do adiamento.
Tudo aquilo que não acontece — o beijo, a confissão, a vida em Cingapura — acontece como forma. Christopher Doyle atrasa a câmera; o corpo sai e o desfoque fica. Uma mão pode dizer aquilo que um diálogo destruiria: aqui a mão quase toca e o filme inteiro cabe nesse quase.
Não é um sétimo autor na lista. É o epílogo. 1953–2000: diferentes cinematografias, a mesma pergunta. Com que matéria se escreve cinema? Com o que permanece quando a ação já foi embora.
