Wong Kar-wai entra neste número como epílogo, não como sétimo autor da lista. Amor à Flor da Pele (2000) fecha a constelação: o tempo, o gesto, o espaço, o rosto e o olhar se encontram num corredor de Hong Kong onde o amor é o que não se consome.
A câmera atrasada, o slow motion, a repetição do tema de Umebayashi: tudo insiste no quase. Os vizinhos se passam, as mãos quase se tocam, a conversa fica no meio. O filme observa o que a vague chamaria de elipse e o que Bresson chamaria de economia — só que agora a cor é úmida e a cidade não dorme.
Colocá-lo no fim de 1953–2000 não sugere evolução. Sugere que o problema deste número atravessou meio século e mudou de sotaque.
