Crítico de Cahiers antes de cineasta, Godard transformou a rua em estúdio e a montagem em pensamento. À bout de souffle (1960) não inventa a câmera na mão, mas a declara: o jump cut deixa de ser erro e passa a ser frase.
Ao longo dos anos 60, de Vivre sa vie a Le Mépris e Pierrot le Fou, ele trata o filme como ensaio — citações, cartazes, olhares para a câmera, o vermelho como pontuação. Depois de 1968, dissolve o autor no coletivo Dziga Vertov, e nunca deixa de discutir o que um plano pode afirmar.
Se a política dos autores pediu que o cineasta fosse um escritor, Godard levou a metáfora ao limite: a câmera não ilustra um texto, ela o escreve.


