Pierrot le Fou é o sumário da vague em Technicolor: Belmondo de novo, Karina como a mulher que sabe mais do que conta, carros, canções, a Guerra do Vietnã num sketch, o diário lido em voz alta.
Godard já não esconde o ensaio. Personagens se viram para nós; um plano se interrompe para uma definição de cinema; o final no rosto pintado de azul é ao mesmo tempo gag e epitáfio. A vague, em 1965, começa a se despedir de si mesma.
O que resta é a liberdade do corte. Ninguém filma uma fuga com tanta vontade de parar para pensar.
