Filmes

1960 · 90 min

À bout de souffle

Acossado

Jean-Luc Godard

Um ladrão de carros, uma americana que vende o Herald Tribune, e Paris filmada como se o negativo não pudesse esperar o estúdio.

À bout de souffle começa com um roubo e um assassinato à beira da estrada, e nunca recupera o fôlego — o título é um programa. Jean-Paul Belmondo imita Bogart; Jean Seberg corta o cabelo e olha para a câmera. Godard, que havia escrito sobre cinema americano em Cahiers, devolve a Hollywood um filme que parece ter sido roubado dela.

A lenda do jump cut nasce da economia: o filme estava longo, Godard cortou no meio dos planos de Seberg no carro. O efeito, porém, não é só de enxugamento. Cada corte seco é uma recusa da sutura clássica. O espectador percebe a montagem, e perceber a montagem é já uma política.

Raoul Coutard filma em Ilford reportagem, câmera escondida, luz que encontra. O som se cola depois. Tudo isso, que parece desleixo, é a declaração de que o cinema pode ser feito amanhã, na rua, com amigos — desde que haja uma ideia na cabeça.