Rivette começou a filmar em 1957 e só terminou em 1961 — a vague já havia estourado, e este primeiro filme chegou como um primo atrasado e mais sombrio. Anne, a protagonista, atravessa apartamentos, terraços, ensaios. O teatro de Shakespeare e a Guerra Fria se confundem.
Não há resolução porque a forma é a suspensão. Rivette ensina a vague a desconfiar do plot: o que importa é o tempo que os corpos passam juntos, a hipótese de que o mundo tem um sentido oculto, a possibilidade de que não tenha.
Dos telhados de Paris, a cidade pertence a quem aceita perdê-la.
