Autores
A duração como enredo

Politique des auteurs

Jacques Rivette

1928–2016 · França

O que se filma é sempre o presente de uma relação.

Cahiers du Cinéma

O mais secreto dos cinco de Cahiers. Paris nous appartient (1961) já traz a paranoia, o teatro e a cidade como labirinto — temas que ele alongará até a exaustão feliz de Out 1.

Rivette acredita que o filme se descobre no set, no ensaio dos atores, na duração que o espectador aceita habitar. A conspiração nunca se resolve porque o mistério é a forma: estar junto, improvisar, prolongar.

Se Godard corta, Rivette deixa correr. Os dois gestos são a mesma recusa do cinema industrial — um pela elipse, o outro pela persistência.