La Jetée dura menos de meia hora e contém um século de cinema. Marker constrói a ficção científica com o arquivo: stills, voz over, o ronco dos motores, um píer no aeroporto de Orly.
A tese é cruel e simples. A memória que nos salva é a mesma que nos mata; o cinema, que é o tempo fotografado, não pode devolver o que perdemos — só repetir o instante. Quando a mulher abre os olhos, o filme se move, e o coração dispara com ela.
Tudo o que a vague discute — autor, tempo, citação — cabe neste curto-metragem sem que Marker precise aparecer. O gato, se quiser, fala depois.
