Ensaísta, fotógrafo, viajante, Marker faz do documentário uma forma de ficção científica íntima. La Jetée (1962), quase inteiro em fotogramas, conta uma história de amor e de fim do mundo com o mínimo de movimento — e o máximo de tempo.
Sans Soleil, Letter from Siberia, Le Joli Mai: o mundo como caderno de notas. Marker recusa o rosto de autor (o gato Guillaume-en-Égypte fala por ele) e, mesmo assim, é inconfundível.
Se a caméra-stylo pedia que o cineasta escrevesse, Marker é o diarista: cada plano um apontamento, cada filme uma carta.
