Filmes

1959 · 90 min

Hiroshima mon amour

Hiroshima, Meu Amor

Alain Resnais

Uma atriz francesa e um arquiteto japonês passam duas noites juntos. A cidade bombardeada e uma cidade ocupada se reconhecem na cama.

O roteiro de Marguerite Duras é já um filme: frases que se repetem, nomes que se recusam, um “tu” que é ao mesmo tempo amante e história. Resnais filma os corpos como arquivo e o museu de Hiroshima como pele.

A modernidade de Hiroshima mon amour não está no tema — o amor depois da catástrofe — e sim na gramática. Não há flashback pedagogicamente anunciado. Há um cabelo raspado em Nevers, uma mão, uma bicicleta, e de repente o presente não segura mais o passado.

Em 1959, no mesmo ano de Les Quatre Cents Coups, a vague se divide em dois pulmões: o da rua e o da memória. Este é o segundo.