O roteiro de Marguerite Duras é já um filme: frases que se repetem, nomes que se recusam, um “tu” que é ao mesmo tempo amante e história. Resnais filma os corpos como arquivo e o museu de Hiroshima como pele.
A modernidade de Hiroshima mon amour não está no tema — o amor depois da catástrofe — e sim na gramática. Não há flashback pedagogicamente anunciado. Há um cabelo raspado em Nevers, uma mão, uma bicicleta, e de repente o presente não segura mais o passado.
Em 1959, no mesmo ano de Les Quatre Cents Coups, a vague se divide em dois pulmões: o da rua e o da memória. Este é o segundo.
