Se a Nouvelle Vague saiu à rua porque o estúdio mentia, Glauber sai ao sertão porque a rua francesa ainda era metrópole. Deus e o Diabo trata o cangaço e o messianismo como as únicas épicas possíveis num país faminto.
A câmera de Bento Ferreira Jr. e a montagem de Rivemilton Gomes recusam o folclore. Há ópera, há western, há o manifesto que Glauber escreverá no ano seguinte: “A fome latina, sobretudo, não é só um dado alarmante: é o nervo da sua própria sociedade.”
Colocar este filme ao lado de À bout de souffle não é uma equivalência fácil. É um contra-campo. O cinema autoral, fora da Europa, não pede licença à vague: responde.
