Filmes

1964 · 120 min

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Glauber Rocha

Manuel e Rosa atravessam o sertão, o beato e o cangaceiro. O Brasil é filmado como profecia, não como paisagem.

Se a Nouvelle Vague saiu à rua porque o estúdio mentia, Glauber sai ao sertão porque a rua francesa ainda era metrópole. Deus e o Diabo trata o cangaço e o messianismo como as únicas épicas possíveis num país faminto.

A câmera de Bento Ferreira Jr. e a montagem de Rivemilton Gomes recusam o folclore. Há ópera, há western, há o manifesto que Glauber escreverá no ano seguinte: “A fome latina, sobretudo, não é só um dado alarmante: é o nervo da sua própria sociedade.”

Colocar este filme ao lado de À bout de souffle não é uma equivalência fácil. É um contra-campo. O cinema autoral, fora da Europa, não pede licença à vague: responde.