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A câmera no sertão

Estética da fome

Glauber Rocha

1939–1981 · Brasil

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.

lema do Cinema Novo

A Nouvelle Vague não é um estilo parisiense: é uma recusa que viaja. No Brasil, o Cinema Novo lê Godard e Rossellini com o mapa do sertão na mesa. Glauber Rocha é o seu profeta mais excessivo.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) filma o milenarismo, o cangaço e a fome como ópera. A câmera treme, o som estoura, o plano se alonga até o êxtase. A “estética da fome” (1965) responde à vague com outra política: não o autor burguês, o autor colonizado que transforma a escassez em forma.

Colocar Rocha neste caderno não é anexar o Brasil à França. É lembrar que o cinema autoral é uma conversa — e que o contra-campo desta vague também se filma em Terra em Transe.