A Nouvelle Vague não é um estilo parisiense: é uma recusa que viaja. No Brasil, o Cinema Novo lê Godard e Rossellini com o mapa do sertão na mesa. Glauber Rocha é o seu profeta mais excessivo.
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) filma o milenarismo, o cangaço e a fome como ópera. A câmera treme, o som estoura, o plano se alonga até o êxtase. A “estética da fome” (1965) responde à vague com outra política: não o autor burguês, o autor colonizado que transforma a escassez em forma.
Colocar Rocha neste caderno não é anexar o Brasil à França. É lembrar que o cinema autoral é uma conversa — e que o contra-campo desta vague também se filma em Terra em Transe.
